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CARLA LIANE E A VITÓRIA DO PRECONCEITO

CARLA LIANE E A VITÓRIA DO PRECONCEITO

Professor Doutor João Batista de Castro Júnior – UNEB, Curso de Direito, Brumado.

                                                                                               "Veritas filia temporis" (A verdade é filha do tempo).

 

A antiga percepção de que, muito frequentemente, há desequilíbrio entre ações e discursos exaltados mais uma vez dá as caras, agora na UNEB, com a vitória numérica de José Bites na eleição para Reitor.

Será curioso agora ver a face de gente que passa a deixar exposta a contradição de que sempre alimentou a fornalha dos discursos arejados com a lenha da hipocrisia dissimulada.

Gente que ordinariamente criticou o argumento baculino, ou seja, a opressão pela pancada do coronelismo, nas aulas de ciências sociais, mas que se ajoelha perante o argumento “ad crumenam”, isto é, aos cofres se abrindo para satisfazer suas necessidades mais individualmente mesquinhas.

Gente que dizia, em público, ser preciso escolher gente como a gente, mas que, no particular, só gostaria mesmo de ser parecida a um gestor com formato de geladinho sem açúcar e sem tintura, alimentado pela fartura do dinheiro público.

Orgulho-me de ter apoiado a extraordinária Carla Liane. A mim, que nunca estampei cartazes nem pichações nesse sentido, nunca foi problema ter uma mulher negra e mais jovem que eu no comando de uma Universidade pública. Problema consciencial deve ser para quem sempre fez discursos discutivelmente “lindos” nesse sentido, mas sucumbiu ao preconceito geracional e mesmo racial, ajudando a sedimentar a imagem de que a UNEB deve continuar sendo essa instituição asséptica, sem cor e sem vida, em que não se sabe, com nitidez, onde são gastos seus mais de 500 milhões anuais nem o volumoso dinheiro federal vindo de órgãos como a CAPES para aquisição de livros e outros itens de necessidade acadêmica.  

É impossível que Bites cumpra tudo que prometeu. Talvez para certos [falsos] sentinelas das ciências humanas e sociais, que pouco entendem de gestão responsável e participativa com dados objetivos, isso nem interessa; interessa que suas conveniências – e também liturgias prenhes de incensos do autoelogio – continuem.

Para a conta continuar formalmente fechando nesse desastroso meio de gerir, os mesmos expedientes continuarão a ser utilizados. Um deles é aumentar o vão fantasmagórico em que se transformou o Departamento de Brumado: um Curso de Letras recorde de evasão discente e um Curso de Direito onde há gente que continua delirando que não é importante se preparar para a OAB nem para concursos.

Parabéns, Carla Liane. Você me fez sonhar deliciosamente em vigília com uma UNEB melhor e que deixasse de ser um péssimo dublê das outras instituições de ensino superior, federais e particulares. 

 


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