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POR QUE VOTO EM CARLA LIANE

POR QUE VOTO EM CARLA LIANE

 

                                               João Batista de Castro Júnior

                                               Professor Doutor do Curso de Direito

                                               Campus XX, UNEB, Brumado.

 

Há um mal estar no Campus em Brumado. Um profundo mal-estar gerado pelo desprezo com que tem sido tratado ao longo dos três últimos anos.

É que, por pouco mais de três anos, tenho assistido ao curso de Direito ser sistematicamente tripudiado na sua busca de afirmação no concerto universitário. 

Pior que isso: chegou a sofrer tentativa de extinção. E que ninguém seja ingênuo de achar que isso não estava sendo engendrado pela Reitoria. Claro que sim, afinal Diretor de Departamento algum teria estofo para, sozinho, tentar essa manobra que quase acabou com nossos sonhos.

O Departamento em si, para o Reitor, parece um leproso, do qual ele se afasta enojado. E a sensação que esse desprezo provoca está bem manifesta nos planos pessoais dos Discentes, como os ouço dizer a todo momento, em irem ou para Guanambi ou, preferencialmente, para Vitória da Conquista, pela sensação de que a qualquer instante Brumado desapareça do mapa acadêmico.

A lógica instaurada por essa administração é perversa: um ser de tenra idade não está merecendo cuidados do seu pai.

Nada, nada funciona a contento. E também não há nada que se diga que demova o atual Gestor de sua fria insensibilidade, parecendo bastar a ele o poder de gozar de viagens para fora do País ou para eventos em que se senta como conviva de pedra.

Por diversas vezes, tentei diálogo com o Reitor para: 1) tratar do terreno de sede própria; 2) estabelecer convênio sem ônus com a Universidade do Sul da Flórida, tendo em vista o interesse do Professor-Coordenador alemão Bernd Reiter que aqui esteve a meu convite e se encantou com o tratamento que lhe foi dado por alunos, acenando para estes com curso gratuito nos Estados Unidos; 3) criar mestrado interdisciplinar que potencialize o nome dos dois Cursos aqui existentes.

A sensação, nas poucas vezes em que apareceu e que pude com ele tratar dessa pauta, é que ela até poderia ser abrigada se não fosse por um Departamento sem peso no panorama da UNEB. A partir daí, entendi por que Bites é aqui um ilustre desconhecido. Mas, se é assim, por que e para que foi criado este Departamento?

Sem esperar por qualquer apoio, que nunca veio, à frente da Coordenação do Curso de Direito, que ficou desastrosamente acéfala por 12 meses justamente porque o Reitor se negava a  nomear o único candidato escolhido, me pus a campo para estruturar: 1) o primeiro modelo de processo administrativo digital da UNEB em Brumado, que passou a economizar meses em favor do aluno, até porque todos os Docentes foram obrigados a despachar em cinco dias; 2) a vinda de uma servidora municipal para o Colegiado, sem ônus para a Universidade; 3) a obtenção de terreno para sede própria, com gestão perante Prefeitos e Vereadores de Brumado, o que,  durante 3 anos, o Reitor e seu Diretor tentaram inibir; 4) acionar a Justiça para dotar o Curso de mais docentes.

Alguns outros esforços foram inúteis, como evitar a perda da professora Sheila Carregosa, pois a intransigência do Reitor e sua Procuradora Geral erigiu-se como uma muralha contra nosso propósito de mantê-la, mesmo depois de essa notável professora pós-doutora ter esperado por 18 meses, trabalhando sem receber um centavo.

Nos diálogos que passei a entreter com Carla Liane, salientei que o Departamento de Brumado tem sido vítima de preconceito acadêmico pela própria Universidade! Lamentei ter visto, nos últimos meses, diversas nomeações de professores efetivos para os outros Campi, enquanto aqui ficamos à míngua de gestões mais comezinhas. Entendi então por que ela se lançou candidata: o imobilismo mais improdutivo se instalou na Reitoria. A UNEB perdeu sua marca institucional e acadêmica de uma Universidade ancorada na cultura e na sociedade.

É desencorajador para qualquer Docente querer sentir-se parte do Campus XX se o próprio Reitor o considera o filho bastardo que não merece paternidade.

Aos poucos, todos sairão em busca de outra cidadania acadêmica que nos está sendo negada em Brumado.

Ouvi dizer que Bites não tem afeição alguma por Cursos de Direito. Suas razões como débil administrador não deveriam entretanto se sobrepor a necessidades institucionais, afinal, a Universidade não é dele; é mantida por impostos.

Considero ser desfaçatez que se venha agora a Brumado propagar projetos que jamais serão executados, repetindo comportamento de políticos profissionais que somente aparecem em época de eleições e assinam ordem de serviço para obras que jamais têm início.

Posso assegurar, diante disso tudo, que, com a experiência de Juiz Federal e ex-Promotor de Justiça, sinto sinceridade nessa mulher notável por sua capacidade de aglutinar a diversidade, a tônica que deveria ser o carro chefe da UNEB e que simplesmente foi transformada em lógica gerencial pelo atual Reitor.

Se a Universidade se resumisse a essa lógica, poderíamos trocar o Reitor por um computador até com mais vantagens, afinal dificilmente a máquina ia sofrer o puxão de orelha que o Tribunal de Contas do Estado deu, no último mês de agosto, em José Bites por ele ter sistematicamente negligenciado o provimento de cargos docentes no Curso de Direito de Brumado.

Confio em Carla Liane. E creio que é a única via para que deixemos de improvisar soluções no Campus Brumado e passemos a merecer a devida atenção.

 


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