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LULA E OS JUÍZES

LULA E OS JUÍZES

LULA E OS JUÍZES

Na obra “O diabo coxo” (“Le diable boiteux”), de 1707,  o novelista francês Alain-René Lesage conta que um demônio, de nome Asmodeu,  levantava à noite o telhado das casas em Paris para espiar a intimidade dos moradores.

Se fosse escrita hoje, o personagem seria a encarnação perfeita do juiz no Brasil: tudo pode, tudo vê, tudo governa.

Na última semana, o juiz asmodiano brasileiro voltou à cena. Dessa vez foi o juiz federal Evandro Reimão dos Reis que, se sobrepondo às escolhas da Universidade Federal do Recôncavo, impôs a sua.

Maior violência que essa contra a autonomia didático-científica da Universidade só nos regimes totalitaristas.Ou então na bestialidade jurídica. Se existir predestinação onomástica, ou seja, o destino de alguém pelo nome que ostenta, estaria explicada a atitude do magistrado, pois “reimão” é “animal sem habitação, animal errante”, segundo os dicionários.

O autor da ação popular é José Carlos Aleluia. Se existir antífrase onomástica, ou seja, nome que tem um significado contrário ao que ostenta, está explicado: ele é o puro farisaísmo hipócrita.

As inversões de sentido estão pululando no Brasil: agora os juízes dizem até o que a Universidade pode celebrar. Faltou a Reimão dizer que a homenagem deveria ser entregue a ele, que não é professor, pelos relevantes, por antífrase, serviços prestados à democracia universitária.

 

Evandro REIMÃO

 

O empoderamento que a Lava Jato deu a esses homens de toga preta, que são alçados ao poder através de macetes memorizados, ainda vai torná-los capazes de levantar os telhados das casas e se deliciar com a intimidade sexual alheia, quiçá dizendo que tal ou qual posição é proibida.

É o que falta fazer, pois de tudo os juízes já têm feito: mandaram até invadir Senado. Ou ainda se apropriam de carro e dinheiro de um réu. Um magistrado mais recentemente, um tal Felipe Albertini Nani Viaro, da 26ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, chegou ao dislate de proibir que Roberta Luchsinger faça  a doação por ela noticiada a Lula.

O argumento, pífio e anêmico, é de que a doadora tem dívida cobrada na Justiça. Qualquer quartanista de direito sabe que dívida na justiça só é pagável quando se encerra a fase de execução. Até lá, a dívida está sendo discutida. Pelo menos isso os juízes sabem. Mas só aplicam quando é para criar embaraços a Lula. Podiam pelo menos tentar disfarçar um pouco mais que não estão fazendo política partidária...

Não se sabe o que é mais triste: a visível estampa lúgubre das togas negras numa audiência judicial ou o invisível espaço de vazios de semântica jurídica na cabeça dos juízes, que perderam a chance histórica de romper com a péssima imagem que o Judiciário tem neste País, a ponto de muitos de seus integrantes já terem sido chamados por Eliana Calmon, juíza federal de carreira, de bandidos de toga.


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